VOCÊ SABE A IMPORTÂNCIA DA EMBALAGEM NA CONSERVAÇÃO E PROTEÇÃO DOS ALIMENTOS?

Mariana Ballarin Lopes¹

¹ Curso Técnico em Alimentos, Instituto Federal Goiano- Campus Morrinhos

Palavras-chaves:Embalagem; Segurança dos alimentos; Práticidade

            Ao longo da história, as embalagens assumiram um papel fundamental no universo dos alimentos. Porém, nem sempre foi assim, à medida que o tempo avançava, surgiu a necessidade de desenvolver algo que facilitasse o transporte e o armazenamento desses produtos (1).

            As embalagens desempenham um papel integral e essencial no atual sistema econômico da sociedade, sendo impossível imaginar um mundo sem elas (2). Elas desempenham múltiplas funções fundamentais na indústria de alimentos. Além de conter, conservar e proteger os alimentos, pois as embalagens também garantem a qualidade e a segurança, agindo como uma barreira contra contaminações químicas, físicas e microbiológicas que podem representar um risco à saúde do consumidor (3). Ao praticar essas funções, elas também obedeceram para reduzir o desperdício de alimentos (4).

            Com o objetivo de aprimorar as características de conservação, minimizar as perdas e garantir a segurança dos alimentos, criaram tecnologias aplicadas às embalagens de alimentos. Entre essas tecnologias, destacam-se as embalagens ativas, que interagem com os alimentos, proporcionando um aumento na vida útil, na qualidade e na segurança dos produtos. Além disso, temos as embalagens inteligentes, que possuem a capacidade de detectar e fornecer informações aos diversos envolvidos na cadeia alimentar sobre o estado do alimento embalado (5).

            Atualmente, a maioria das embalagens de alimentos é fabricada utilizando materiais plásticos devido às suas vantagens, como flexibilidade, leveza, baixo custo e variedade, entre outras características (6). No entanto, é importante destacar que a maioria dos plásticos ou polímeros é derivada de fontes petroquímicas não renováveis. O aumento do consumo desses plásticos acarreta problemas socioeconômicos, como economia e aumento dos preços do petróleo, além dos impactos ambientais causados, como a geração e os resíduos de sólidos que podem levar décadas ou até mesmo séculos para se decompor na natureza (7). Diante dessa situação, há uma preocupação crescente em buscar alternativas para reduzir esses impactos. Uma abordagem promissora é o desenvolvimento de biopolímeros, que são fontes nativas de fontes renováveis e produzidas pela natureza e que podem ser também biodegradáveis (1).

            No intuito de assegurar a segurança dos consumidores, é fundamental que todas as embalagens e equipamentos que entrem em contato direto com alimentos sejam fabricados em conformidade com a legislação nacional. No Brasil, o atual sistema legal foi incorporado através de Portarias e Resoluções específicas para cada tipo de material de embalagem, as quais foram derivadas das Resoluções do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). A responsabilidade pela implementação dessa legislação cabe a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Ministério da Saúde (MS) (8).

            De acordo com dados do estudo macroeconômico da indústria brasileira controlado pelo IBRE (Instituto Brasileiro de Economia) e pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) em colaboração com a ABRE (Associação Brasileira de Embalagem), o setor de embalagens no Brasil movimentou aproximadamente R$ 132,2 bilhões em 2022, representando um crescimento de cerca de 3,9% em comparação com o ano anterior (9).

            Destaca-se que a indústria de alimentos é a principal usuária de embalagens, correspondendo a 51% das vendas em todo o mundo (10).

            A embalagem cumpre um papel crucial ao retardar a preocupação, prolongar a vida útil nas prateleiras e preservar a qualidade e segurança dos alimentos, protegendo-os de diversas influências externas, como luz, calor, odores, microrganismos, insetos, sujeira, entre outros (11).

            Banzato (12) destaca a importância da embalagem para facilitar o transporte do produto em todas as etapas da cadeia de abastecimento. Em muitos casos, é uma embalagem que determina as características do sistema logístico necessário. Por exemplo, uma embalagem pode definir a vida útil de alimentos perecíveis, o que influenciará a extensão necessária do ciclo logístico.

            É fundamental que as embalagens e seus materiais não representem riscos à saúde dos consumidores (13). A especificação técnica e a composição da embalagem devem garantir uma proteção adequada aos alimentos, mantendo ao mínimo possível as contaminações químicas, físicas e microbiológicas, prevenindo danos e permitindo a rotulagem adequada (14).

           Algumas embalagens contêm oxigênio presente dentro delas, e é um fator químico e biológico que contribui para a degradação dos alimentos (15). Nesse sentido, os absorvedores de oxigênio exercem um papel importante, pois testemunham as reclamações relatadas à queixa e prolongam a vida útil dos alimentos (16). Eles trabalham na prevenção do crescimento de microrganismos aeróbios, retardam reações de ingestão, evitam o escurecimento e perda de sabor e nutrientes, além de reduzir a taxa de trabalhadores e produção de etileno em frutas, hortaliças e legumes (17).                                               

         A ABRE (9), reconhecendo o papel fundamental e indispensável das embalagens na viabilização da sociedade, destacou algumas contribuições dessas embalagens para a sustentabilidade, que incluem: Proteger o produto: essa função já traz uma valiosa contribuição ambiental, social e econômica; Reduzir o desperdício e as perdas de alimentos; Entregar o produto ao consumidor em condições perfeitas; Informar o consumidor: fornecer informações sobre nutrientes, dados de validade, etc., traz benefícios que facilitam e protegem o consumidor; Aproveitar todas as vantagens dos materiais para embalagens, pois não existe material intrinsecamente bom ou ruim; Materiais provenientes de fontes renováveis; utilização de tecnologias de produção limpas; Atender às expectativas do consumidor; Ser recuperável de forma eficiente após o uso; Ser satisfatório, seguro e saudável para todas as pessoas ao longo de seu ciclo de vida; Aumentar a segurança dos alimentos e preservar a qualidade por mais tempo; Assumir responsabilidades na educação ambiental.

            As embalagens desempenham um papel essencial na economia dos países industrializados, com uma rentabilidade extremamente relevante. A indústria de alimentos é a principal usuária dessas embalagens, pois elas desempenham um papel fundamental ao conter, proteger e conservar os produtos, com o objetivo de garantir a segurança do consumidor. Diferentes materiais são utilizados na fabricação de embalagens para alimentos, e sua composição não pode representar perigo para a saúde dos consumidores. Portanto, a indústria de embalagens deve cumprir as especificações técnicas protegidas pela ANVISA para embalagens e materiais em contato com alimentos, além de implementar sistemas de gerenciamento de segurança em toda a cadeia produtiva. O desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas às embalagens, como as embalagens ativas, inteligentes e os biopolímeros, oferece benefícios na direção ao consumo sustentável, promovendo melhorias na qualidade e segurança dos alimentos e evitando os impactos negativos ao meio ambiente. No entanto, no Brasil, ainda não existem legislações específicas para essas embalagens, o que representa um obstáculo para o avanço das novas tecnologias.

REFERENCIAS

1. Bastos A. Embalagens de plástico verde reduzem desperdício e dão mais segurança, 2014.

2. Ruiz GJ, Figueiredo LF. Gestão de design: Estratégia no desenvolvimento de embalagens para sustentabilidade. 2016

3. Jorge N. Embalagens para Alimentos. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2013.

4. Coles R. Introduction. In: Mcdowell D, Kirwan MJ. Food Packaging Technology. London: CRC Press; 2003.1-29.

5. Sarantópoulos CIGL, Rego RA, Dantas TBH, Dantas FBH, Jaime SBM, Mourad AL, Padula M. et al. As tendências de embalagem. In: Sarantópoulos; Rego RA. Brasil pack trends, 2020. Campinas: ITAL; 2012.67-83.

6. Souza AC, Benze R, Ferrao ES, Ditchfield C, Coelho ACV, Tadini CC. Cassava starch biodegradable films: Influence of glycerol and clay nanoparticles contente on tensile and barrier properties and glass transition temperature. LWT- Food Science and Technology. 2012; 46:110-117.

7. Brito GF, Agrawal P, Araujo EM, Melo TJA. Biopolímeros, polímeros biodegradáveis e polímeros verdes. Revista Eletrônica de Materiais e Processos [Internet] 2011 [acesso em 2023 jun 14];6(2):127-139. Disponível em:http://www2.ufcg.edu.br/revista-remap/ index. php/REMAP/article/download/222/204. Acesso em: 10 de junho de 2023.

8. Brasil. ANVISA- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Embalagem. 2016

9. ABRE. Estudo abre macroeconômico da embalagem e cadeia de consumo. [internet]. 2022

10. Ey Analisys. Unwrapping the packaging industry. [Internet]. 2013 [acesso em 2023 jun 14]; Disponível em: http://www.ey.com/Publication/vwLUAssets/Unwrapping_the_packaging_ industry_%E2%80%93_seven_factors_for_success/$FILE/EY_Unwrapping_the _packaging_industry_-_seven_success_factors.pdf.

11. Marsh K, Bugusu B. Food packaging- roles, materials and environmental issues. Institute of Food Technologist. 2007;72(3):39-55.

12. Banzato JM. Embalagens. São Paulo: IMAM, 2008.

13. Brasil. ANVISA- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Perguntas e respostas sobre materiais em contato com alimentos.

14. Codex Alimentarius Comission. Food Hygiene. [Internet]. 2009 [acesso em 2023 jun 14]; Disponível em: http://www.fao.org/fao-whocodexalimentarius/en/.

15. Ferreira MD. Tecnologias pós-colheita em frutas e hortaliças. São Carlos: Embrapa Instrumentação; 2011.

16. Iura PSCE. Embalagens ativas para alimentos [Trabalho de conclusão de curso]. Lorena: Escola de Engenharia de Lorena, Universidade São Paulo;2012.

17. Santos AMP, Yoshida MP. Embalagem. Recife: EDUFRPE; 2011.

Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Posts
Read More

Uso de Postbióticos e Óleos Essenciais na Preservação de Frutos do Mar

Pesquisadores da Universidade Chung-Ang, na Coreia do Sul, descobriram uma maneira revolucionária e ecológica de preservar frutos do mar, utilizando uma combinação de postbióticos derivados de Leuconostoc mesenteroides e óleos essenciais como eugenol e timol. Este método mostrou-se altamente eficaz na inibição de patógenos como Vibrio parahaemolyticus, Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli, além de impedir a formação de biofilmes em produtos de frutos do mar e superfícies de processamento. A inovação não só aumenta a segurança alimentar, mas também oferece uma alternativa sustentável aos conservantes químicos tradicionais, atendendo à crescente demanda por soluções naturais na indústria alimentícia.
Total
0
Share